sexta-feira, 10 de março de 2017

A Grande Muralha, 2016, Zhang Yimou

A cada 60 anos, monstros marcam presença para tentar ultrapassar o grande monumento da China, comendo tudo o que vir pela frente. Já a cada segundo, Malu acertava o que ia acontecer na cena seguinte. A Grande Muralha conta a história de William (Matt Damon) e seu amigo Tovar (Pedro Pascal) que estão à procura de Pó Negro (mais conhecido como Pólvora) e, depois de um ataque de uma das criaturas, acabam parando onde? Na muralha. 
Desculpa, galera, mas realmente fico frustrada quando um dos filmes chineses com orçamento mais alto de todos os tempos é algo Control C e Control V. A primeira preguiça foram as lutas. Cenas finalizadas com aquele ar de "é só isso mesmo?" e 0 adrenalina, que foi o que imaginei que teria ao ver o trailer. A segunda preguiça foram os efeitos especiais, que não se tornam algo literalmente presente e lembrando só que: é algo de extrema importância em um filme fantasioso. A terceira e última preguiça foi um contexto. Não gosto de produções que tudo acontece muito rápido. A demora foi piscar o olho que já haviam inimigos na tela. Calma ai, Zhang! Nos conta uma história, nos prenda ao que supostamente você deveria ter pensado para o filme. 
Mas podem relaxar! O figurino é legal. 
Se estais a procura de cenas não previsíveis e com personagens que chamam atenção (pois até o que deveria ser o protagonista acabou não se destacando), melhor sair correndo mesmo. 

Aquele abraço!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Estrelas Além do Tempo, 2016, Theodore Melfi

Uma crítica por Gabriel Luna.











Baseado em um livro de mesmo nome, do autor Margot Lee Shetterly, Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) conta a história de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monaé), três mulheres afro-americanas que tiveram uma importância enorme para o processo da corrida espacial americana e, também, de passar por todos os problemas da época como machismo e a alta segregação racial dos anos 60, mas conseguiram superar todos os empecilhos e realizar seus feitos.
O interessante, para não dizer irônico, é que o filme tinha tudo para ter uma grande carga dramática, mas acabou sendo extremamente leve e divertido. O diretor e roteirista resolveram colocar as questões mais sociais e que debatem os temas citados de uma forma mais subjetiva, sempre usando de alguns elementos da época para demonstrar a dificuldade vivida pela população afro-americana, como na questão do banheiro ou da biblioteca. Mesma coisa com o machismo, esse que ficou centrado no personagem do Paul Stafford (Jim Parsons). O fato é que o filme não dá muito foco nessas questões, não porque ele ignora, mas o que ele quer te mostrar é justamente elas deixando isso de lado e focando nos objetivos. A inserção de cenas com um viés mais de comédia, juntamente com uma trilha bastante animada, são outros meios de mostrar essa superação com um bom humor.
As paletas de cores trazida pelo filme serve como um reflexo daquilo que seria o sentimento das personagens em meio ao ambiente. Percebe-se que nas cenas fora do prédio da NASA, o diretor usa cores quentes e bastante vivas, como se elas estivessem mais à vontade e sendo elas mesmas. Por outro lado, a cena dentro do prédio tem uma predominância de cinza, remetendo a um ambiente mais rígido e por sua vez, opressor.
O protagonismo é claramente de Katherine, porém cada uma acaba tendo seu tempo de tela muito bem distribuído, sempre tendo destaque para o que cada uma está fazendo dentro da NASA. A relação entre as três é mostrada de uma maneira muito natural e crível. Desde a primeira cena em que elas estão juntas, em poucos segundos conseguimos ver como é cada personalidade e como elas se completam, e isso crescendo ao longo do desenrolar da história.
Estrelas Além do Tempo acerta em tirar seu foco do “vitimismo” e mostrar a superação dessas três mulheres que fizeram história para o programa espacial, de uma forma em que você se sente bem ao final do filme e fica impressionado pela força de vontade delas. Certamente uma produção que se encaixa num contexto social totalmente atual e que deveria servir de inspiração para qualquer pessoa.

Por Gabriel Luna.
Twitter: @GCinzento

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Terror ????????

Jumpscare nada. Sou medrosa mesmo, mas isso não quer dizer que eu não seja exigente. Alguns diretores e roteiristas realmente -acredite ou não- acham que nos marcam com seus sobrenaturais. Sinceramente? Saturada estou de personagens feios se contorcendo e sustos previsíveis com tensão 0. O gênero terror veio para nos deixar perturbados, não só durante o filme, mas principalmente após o mesmo. Só que na verdade, o que fica para nós é a decepção.
Lembrando dos mais antigos, que vieram para inovar e acabaram fazendo muito mais, acabamos refletindo. O que é Atividade Paranormal perto de A Bruxa de Blair (o 1º pelamorideus)? O Exorcista comparado aos possuídos interpretados hoje em dia? Psicose!!! Tão incrível que ninguém, até hoje, conseguiu TENTAR se igualar à originalidade da trama. 
Como eu sempre digo por aqui, realmente precisamos de inovação cada vez mais. Na era do psicológico, onde poucos andam ganhando, é de se comemorar uma produção que realmente nos surpreenda. Entretanto, ainda existem as apostas, na maioria das vezes, ou quase sempre, arriscadas. Se é que me entendem, algumas até crendo em continuações de tramas que já não estavam dando certo. Realmente não sei mais. Se não vier para nos impactar, melhor ficar por ai mesmo. Aliás, já disse Martin Luther King: "Toda hora é hora de fazer o que é certo". Perceptível que não se aplica a nossa realidade. 

Aquele abraço!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A Qualquer Custo, 2016, Sheridan

Olá, fãs. Ouvi falar muito bem sobre essa produção, mas admito que, sim, muito bom, porém não essas coisas todas.  Toby (Chris Pine), que só vejo como o James em Star Trek rs, e seu irmão Tanner (Ben Foster) estão em uma sequência de roubos para pagarem suas dívidas. Entretanto, há um diferencial. Eles só roubam do próprio banco que os estão cobrando. 
No livro O Príncipe do teórico absolutista Maquiavel, há a seguinte frase: "A força é justa quando necessária". Ou seja, para triunfar, às vezes precisamos utilizar da brutalidade. Claramente o que retrata a trama. Abordando críticas sobre o sistema bancário, com o típico você-me-rouba-e-eu-te-roubo-também, A Qualquer Custo e seu faroeste bem ressaltado, possui seus pontos positivos. Jeff Bridges, interpretando o xerife Marcus, com suas piadas racistas ao parceiro Alberto (Gil Birmingham), totalmente convencido de encontrar os dois ladrões, chamou bastante atenção, mesmo não sendo um dos principais, interpretando aquele típico personagem bruto do ambiente em questão. As amplas imagens desertas do Texas são apaixonantes. Pine, saindo um pouco de seu meio aventureiro, acabou se dando bem de barba mal feita e conseguiu seu destaque. Trilha sonora impecável, posso afirmar. E Sheridan, com um bom roteiro, nos deixa reflexões após as terminadas 1h42m.
Entretanto, apesar dessas maravilhas, acabamos ficando com personagens e cenas previsíveis e momentos que supostamente deveriam ser de adrenalina, mas só supostamente mesmo. Vocês sabem que sempre procuro originalidade, porém não encontrei em A Qualquer Custo.

Mais uma crítica "do Oscar" sem enrolação. 
Aquele abraço!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A Chegada, Villeneuve, 2016

Olá, fãs! Venho aqui contar pra vocês que é possível sim se impressionar com uma produção sobre extraterrestres. Uma nave desconhecida pousa em diversos lugares e uma linguista, Louise Bankas (Amy Adams), e um cientista (Jeremy Renner) são convocados para descobrirem o que é que está acontecendo. Comecei a ver o filme com um pé na frente e outro atrás. Primeiro pois era do Denis Villeneuve, que eu acho show de bola. Segundo porque já estava esperando uma guerra e todas aquelas teorias de conspiração ETs. Acabei as 1h58m com os dois na frente e mais um pouco.  A Chegada é baseado em um conto de Ted Chiang, chamado História da Sua Vida. Palmas para Chiang.
Então, continuando... a comunicação foi o que mais gostei de primeira. Amante das exatas, nunca tinha me maravilhado dessa forma com uma ciência linguística. O se-vira-nos-30 de como Louise procura um jeito de traduzir a língua de outro indivíduo, totalmente desconhecido, é incrível para qualquer um. Merecido o papel entregue a Amy, cujas emoções eram transparentes, nos passando aquela carga emocional do filme. Lidarmos com aquilo que não é esperando. Depois, a forma como intercalam entre cenas rápidas da Banks com sua filha e o que está acontecendo no presente. Tudo extremamente bem organizado para que o plot vá se construindo e dê o real sentido do porquê de chamarmos o cinema de A Sétima Arte. Não nos venham com tradição, queremos inovação!!!!
Depois de outros filmes baseados em livros e outros, também mexendo com o psicológico, Villeneuve, saindo um pouco do suspense com uma produção de Ficção, nos tirou do óbvio de sempre.

Aquele abraço!

sábado, 28 de janeiro de 2017

La La Land, Chazelle, 2017

Olá, fãs! Eu sei. Também ainda não superei. Calma. Gostaria de falar que: foi grande meu espanto ao saber que Chazelle tinha produzido um musical. Agora podemos continuar realmente. Mia (Emma Stone) tem um sonho: ser atriz. Sebastian (Ryan Gosling) tem outro: ressurgir o Jazz das cinzas e criar seu próprio clube do mesmo estilo musical. Os dois vão se esbarrando e esbarrando, até que, ao dançar e cantar Lovely Night Dance, tudo muda. Apesar de falar muito sobre renascer a música amada pelo protagonista, La La Land veio pra renascer, na verdade, o musical. E não decepcionou. 
Primeiro. Os personagens. Emma Stone interpretando seu melhor papel até hoje, nos deixou, claramente, uma Mia bem(!!) sonhadora, charmosa e encantadora. Sempre lutando pelo seu objetivo principal: ser atriz. Ryan fez um perceptível Sebastian bem(!!) sonhador, cheio de expectativas e romântico. O amor entre eles é extremamente cativante e nos faz torcer por ambos durante toda a trama. 
PEQUENOS SPOILERS A SEGUIR
Segundo. As cores. Foquemos em vermelho. Apesar do amarelo, azul e verde sempre estarem presentes também. A primordial, podendo ser vista como paixão, está sempre nos detalhes ligados ao casal: Ema está entre ela ao decidir entrar no bar onde vê "Sebs" tocar pela primeira vez; "Sebs" está usando ela ao tocar na festa em que realmente surge o papo com Mia; a placa do bar de Jazz e do teatro; a luz quando são vistos pelas primeira vez juntos em seu quarto; o piano na sessão de fotos ao Sebastian pensar em Mia e a luz sob a protagonista ao pensar no amado antes de entrar em cena no teatro. O verde também especial, ao aparecer muito a partir dos momentos tristes entre o casal. Tanto é que, enquanto eles cantam City of Stars juntos, a cor está no ambiente na forma de luz. 
FIM DOS SPOILERS
Figurino impecável, preciso afirmar. E é incrível como cada música nos dá uma pista ou narra o que vai acontecer ou está acontecendo. Pare pra ler cada letra e lembre do momento em que foi tocada. La La Land me deixou incrivelmente encantada. Cada detalhe lembrarei durante muito tempo. Daqueles filmes que você assiste várias vezes e nunca cansa. E daqueles que você quer ter em casa. Assista ou se está cansado de romances clichês e mentirosos, ou se está vivo.  Parabéns, Chazelle. Nos surpreendeu. *Batendo palmas* para a cena final que fechou com chave de ouro. E mais uma coisa: não é um filme sobre romance. É um filme sobre sonhos.

Aquele abraço!

domingo, 22 de janeiro de 2017

Desventuras em série, 1ª temporada


Olá, fãs! A Netflix fez o favorzão de produzir a série da tão querida saga Desventuras em Série, onde tudo começa com os três órfãos Baudelaires que ficam aos cuidados do Conde Olaff, um vilão que está louco pra tomar a fortuna dos irmãos. Mas sim, a questão principal é: por que tanta gente não está gostando? Simplesmente pois... não é pra todo mundo. Os 13 livros possuem características muito peculiares, que não agradam todo tipo de público. Logo, com um roteiro do próprio escritor, Daniel Handler ("Lemony Snicket"), era óbvio que a série seguiria o mesmo caminho. 
Há três anos que li todas aquelas páginas e há três anos que espero ansiosamente por alguma produção com todas elas. Terminei a 1ª temporada encantadíssima em como é definitivamente fiel aos livros. Até parei para ler depois e me certificar de que até certas frases escritas, foram faladas. E não tem satisfação maior para um leitor do que isso. É maravilhosa a paleta de cores que nos remete não só às capas dos livros, mas também a um ambiente de tristeza, como é retratada toda a história por Lemony Snicket, interpretado por Patrick Warburton. A trama narrada por Snicket deixou tudo mais fantástico, seguindo o mesmo caminho que, claro, os livros. Sem contar em como ele é colocado nas cenas, sempre presente, nos guiando para cada situação. 
Seguindo para o querido, mas não tanto, Conde Olaff... Muitas comparações estão sendo feitas entre o interpretado por Jim Carrey e o atual, por Neil Patrick Harris. Quem é o melhor? Outra resposta que posso dar claramente: eles não podem ser comparados, já que a proposta do filme e da série são completamente diferentes. O primeiro retrata uma coisa mais sombria, com suas próprias características e a intenção de agradar um público maior, apenas se BASEANDO nas obras. Já o segundo... bem, imaginei algumas vezes que o roteiro dos atores eram as próprias páginas dos livros. rs. Agora sério. Já o segundo não vai por esse caminho mais tenso e tenebroso, mas sim um triste, cheio de mistérios, surpresas e as vezes, um humor para descontrair. Porém, voltando ao ponto do Conde, só digo que o Neil Patrick conseguiu fazer um impecável vilão. Sem contar que o personagem possui uma personalidade muito forte, pelo menos de acordo com os livros. E felizmente isso foi percebido da mesma forma durante os episódios que se passaram. E outro ponto, claro! Sua trupe. Que se tornou o foco principal de comédia da série, mantendo sempre o nível do gênero principal da trama. Aquelas piadas na maneira certa. Porque se tem uma coisa que eu não gosto, é a fuga de como realmente aquilo que se promete ao telespectador vai ser tratado. 
Enfim, Desventuras em Série foi tudo o que esperei durante todo esse tempo. Mas uma coisa a mais que me surpreendeu, foi a abertura. Quem não ficou com "Look away, look away" na cabeça por um bom tempo? Pois é. Netflix de parabéns em mais uma produção. Agora é esperar pela próxima temporada e torcer pelos três irmãos. 

Aquele abraço.